Colméias Urbanas podem Dar Nova Vida às Abelhas
Os jardins e espaços verdes das cidades do mundo inteiro têm agora um papel a desempenhar na corrida para salvar as populações de abelhas-domésticas do planeta, que estão em sério declínio em muitos países.
As abelhas fazem mais do que simplesmente produzir mel. Elas ajudam a polinizar plantações agrícolas, árvores, flores e hortaliças, de modo que sem as abelhas a produção de alimentos sofreria uma queda monumental.
Agora uma colméia de desenho recente, lançada por uma companhia britânica, tornará mais fácil para qualquer pessoa, do amador ao apicultor experiente, a tarefa de ajudar as abelhas a encontrar um lar, seja em um pequeno jardim, em um telhado ou mesmo na varandinha de um apartamento. Os fabricantes esperam que seu novo produto se espalhe tal como as colônias de abelhas, por todo o mundo, tão amplamente quanto possível, para proteger as abelhas e proporcionar em troca um delicioso alimento gratuito.
A colméia extremamente moderna, composta de painéis de plástico, foi batizada com o nome de Beehaus e desenvolvida em colaboração com destacados apicultores com o objetivo de oferecer às abelhas um lar do século 21, tendo em mente sobretudo os espaços urbanos, em toda parte.
A empresa jovem e imaginativa que criou a colméia, a Omlet, espera que a mesma se saia muito bem nas vendas internacionais, tanto quanto seu primeiro produto, lançado em 2004, um galinheiro Eglu de linhas igualmente modernas que desencadeou uma onda de interesse pela criação de galinhas no ambiente urbano, além de funcionar também para coelhos e porquinhos-da-índia.
Mais tarde foi a vez do galinheiro maior, o Cube, que acomoda até dez galinhas, é dotado de uma caixa de postura integrada e alcançou grande sucesso. Como disse o diretor da Omlet, Johannes Paul: "Nós vendemos até o momento 30 mil unidades, a maioria para os Estados Unidos, África do Sul, Austrália, países europeus e o Reino Unido".
"Quanto à Beehaus, achamos que existe um mercado bem definido nos EUA e no resto da Europa, dada a demanda acentuada a partir dessas e de outras áreas tradicionais que gostaram dos nossos desenhos coloridos e inovadores", acrescentou ele.
A Beehaus foi lançada no final da estação de apicultura (na maioria dos países) a fim de inspirar os apicultores para o trabalho do ano seguinte. Johannes Paul espera expandir ainda mais o processo de exportação e tem a intenção de estabelecer atacadistas e distribuidores no futuro. "Mas ainda é cedo para se ter certeza. Até agora temos vendido todos os nossos produtos diretamente ao consumidor" .
As credenciais "verdes" da Beehaus parecem suficientemente sólidas para conquistar o suporte da organização conservacionista Natural England, cujo cientista chefe, D.r Tom Tew, comentou: "Não existe qualquer razão para que nossas cidades, grandes ou pequenas, sejam desertos desprovidos de vida selvagem, pois essa vida pode florescer se ao conceber as áreas urbanas nós tivermos em mente a natureza. A Beehaus é um ótimo exemplo da facilidade com que qualquer pessoa pode trazer o mundo natural para mais perto de sua própria casa".
A Beehaus mede cerca de um metro de largura por meio metro de altura, o que é o dobro do tamanho de uma colmeia tradicional, com bastante espaço para o crescimento da colônia. As abelhas cobrem percursos de até cinco quilômetros a fim de colher o néctar, o que permite que até o menos promissor dos jardins tenha condições de manter colônias viáveis e produzir mel.
Segundo os peritos, com o devido cuidado e acesso a fontes locais de néctar é possível obter mais de 20 kg de mel de uma colméia em um bom ano, em troca de cerca de uma hora de atenção por semana da parte da pessoa encarregada.
A colmeia é dotada de pernas metálicas para manter as abelhas afastadas do ar frio do inverno, período em que permanecem em hibernação, sendo que pernas têm ainda a função de manter a colmeia a uma altura confortável para permitir que o apicultor possa inspecioná-la com maior facilidade.
A Beehaus tem um chão de tela reticulada que proporciona ventilação durante o ano inteiro a fim de garantir um recinto higiênico para as abelhas. O chão de tela ajuda o apicultor a controlar os ácaros Varroa, permitindo que os mesmos caiam através da tela para fora da colméia.
No ano passado mais de 30% das abelhas-domésticas pereceram devido a doenças, sobretudo aquela causada pelo ácaro Varroa destructor. Este ano a percentagem ainda deverá situar-se em torno dos 20%, o que não é sustentável. Calcula-se que a abelha-doméstica, por intermédio da polinização e da produção de mel, faça uma contribuição anual de 150 milhões de libras para a economia do Reino Unido.
Como disse o co-fundador da Omlet, James Tuthill: "Com a ajuda dos jardineiros urbanos as abelhas podem ter acesso a uma fonte de plantas de imensa variedade, o que resulta em um mel de sabor excepcional".
































