Pesquisa com Laser para Diagnóstico Mais Rápido de Doenças Ósseas
PELA primeira vez configura-se a perspectiva de um diagnóstico mais rápido das doenças dos ossos graças ao uso de uma nova técnica de laser que será submetida a testes clínicos rigorosos e seguros, com pacientes genuínos, em hospitais.
Esse revolucionário sistema laser poderá vir a constituir o cerne de um excelente sistema de triagem para diagnóstico de doenças músculo-esqueléticas como a osteoartrite e a osteoporose.
A pesquisa - que se espera abrirá o caminho para futuros ensaios clínicos - aplicará um enfoque revolucionário conhecido como espectroscopia SORS (espectroscopia espacial compensada Raman) para examinar substâncias específicas em superfícies não transparentes mais profundamente do que era possível antes, sem danificar a superfície.
A equipe científica britânica é de opinião que o método poderá eventualmente ser usado na detecção e triagem em busca dos primeiros sinais de doença músculo-esquelética.
"Este enfoque novo e empolgante foi desenvolvido graças à combinação de competência especializada e colaboração em pesquisa multidisciplinar ao longo de vários anos", explicou o professor Allen Goodship, investigador principal do projeto. "Agora isso culminou em um sistema de avaliação dos tecidos ósseos com um grau mínimo de invasividade e poderia, mediante desenvolvimento adicional, formar a base de um sistema de triagem rápido, seguro e econômico das doenças músculo-esqueléticas".
A técnica central, elaborada e patenteada na Central Laser Facility do Conselho de Recursos de Ciência e Tecnologia (Science & Technology Facilities Council - STFC), na Inglaterra, foi desenvolvida para esta aplicação através de um trabalho de colaboração com o Instituto de Ciência Ortopédica e Músculo-esquelética do University College London (UCL).
O conceito foi avaliado em amostras ósseas de composições químicas diferentes, mas nunca foi testado em hospital, em pacientes, como será nos próximos anos.
O professor Pavel Matousek, físico do STFC e professor honorário do UCL,é o principal inventor da técnica. Em suas próprias palavras: "O novo método suprime com eficiência sinais oriundos da pele que de outro modo exerceriam um drástico efeito interferente, permitindo assim que vejamos através da pele mudanças sutis de natureza química no interior de todos os componentes ósseos, sem necessidade de biópsia" .
Este novo enfoque tem ainda condições de fornecer muito mais informações do que os sistemas convencionais, baseados em raios-x, que se limitam apenas aos componentes minerais.
Esta fase translacional da pesquisa foi possibilitada por um subsídio de GBP 1,7 milhão concedido pelo Conselho de Pesquisa em Engenharia e Ciências Físicas (Engineering & Physical Sciences Research Council -EPSRC) do Reino Unido e por intermédio de uma parceria contínua com o UCL, que demonstrou a viabilidade da aplicação dessas tecnologia à composição óssea, e com o hospital ortopédico Royal National Orthopaedic Hospital (RHOH), de Londres, onde serão realizados os ensaios.
O Dr. Richard Keen, co-investigator e reumatologista do RNOH, explicou: "O projeto tem potencial para proporcionar um meio de detecção e confirmação de alguns dos raros problemas ósseos que ainda são difíceis de diagnosticar. Poderia contribuir em muito para reduzir a carga das doenças músculo-esqueléticas e as dores crônicas que acometem os pacientes das mesmas".
Os pesquisadores dizem que a técnica, embora promissora, precisa ser plenamente compreendida e é possível que se passem vários anos até que o método esteja totalmente pronto para uso diagnóstico pelo serviços gerais de assistência à saúde.
A técnica de espectroscopia óssea SORS foi desenvolvida como parte de um projeto em andamento do qual participam o STFC, o UCL e o RNOH. A técnica SORS foi desenvolvida também para aplicações farmacêuticas e de segurança, que se encontram em estágios mais avançados e serão levadas avante por meio da companhia Cobalt Light Systems, derivada do STFC, que é o único fornecedor de produtos e tecnologia SORS.
A Cobalt desenvolve instrumentos e aplicações para ensaios, desenvolvimento de fórmulas e controle de qualidade em farmacêutica, além de trabalhar com outras organizações no desenvolvimento de produtos para diferentes mercados, como produtos para a saúde, a segurança e a detecção de contrafações.
O Royal National Orthopaedic Hospital (RNOH) é o maior centro terciário especializado de ortopedia do Reino Unido e um hospital especializado de renome internacional no diagnóstico e tratamento de condições neuro-músculo-esqueléticas complexas (www.rnoh.nhs.uk).
The Engineering & Physical Sciences Research Council (EPSRC) é o principal órgão britânico de financiamento de pesquisa nos campos a que se refere seu título. Investe anualmente mais de 800 milhões de libras em pesquisa e treinamento em nível de pós-graduação (www.epsrc.ac.uk).
A Central Laser Facility do Science & Technology Facilities Council é uma parceria entre seu pessoal e os numerosos membros de universidades britânicas e europeias que usam equipamento a laser especializado na realização de uma grande variedade de experimentos nas áreas da física, química e biologia.


































